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domingo, 23 de janeiro de 2011

Emagrecer com a força do pensamento parte1

Se você ainda resiste à idéia de que corpo e mente trabalham em conjunto e formam um todo indivisível, basta lembrar o modo como seu organismo reage nas situações em que você sente medo, raiva ou leva um susto. O coração dispara, o sangue recebe uma enxurrada de adrenalina, o rosto pode ficar vermelho, você talvez comece a tremer, a respirar mais rápido e até a chorar. Pessoas que vivem preocupadas com a perda do emprego, com a violência do dia-a-dia ou com a balança – e que passam os dias sofrendo por antecipação – acabam entrando num nível de estresse que termina por gerar desequilíbrios orgânicos. Os males vão da insônia e dores musculares a distúrbios digestivos e cardíacos, passando por depressão, ansiedade crônica e síndrome do pânico. Claro que situações estressantes fazem parte da vida, mas o que você diz a si mesma (ou seja, seus pensamentos e crenças) nessas situações pode ter um efeito tranqüilizador ou deixá-la ainda mais tensa.
O que muita gente que deseja emagrecer não percebe é que os pensamentos têm o poder de aumentar ou diminuir nosso peso. “Quem tenta eliminar os excessos e acaba desistindo geralmente está preso em um padrão mental automatizado (isto é, que já funciona sozinho) baseado no tripé medo–culpa–punição”, explica a psicóloga Maura de Albanesi, especialista em Neurolingüística e diretora do Instituto de Psicoterapia Progressiva, de São Paulo.
O medo é uma armadilha
A pessoa que sente muito medo de engordar ou de não conseguir perder peso é a que ganha quilos com mais facilidade. “Ela acredita que nasceu para ser gorda e que cada caloria ingerida se transformará em gordura em vez de ser eliminada. Mas isso não é verdade, porque o corpo tem a capacidade de liberar e eliminar calorias, de acelerar ou reduzir o metabolismo”, diz.
“Ele só passará a estocar adipócitos se ela tiver algum problema hormonal (o que só ocorre com uma pequena parcela da população) ou emitir uma ordem mental gerada pelo medo e pela crença de que seu corpo estoca na forma de gordura tudo o que come”, exemplifica. A mente, segundo ela, é como um computador que obedece ordens, mesmo que a pessoa não perceba que está mandando. “Precisamos estar muito atentos ao tipo de programação mental que criamos ou reforçamos todos os dias com os nossos pensamentos e crenças, porque o cérebro não distingue se o que pensa e sente como conseqüência desses pensamentos é o que você quer ou não quer, se é real ou não – ela responde como se fosse uma verdade”, adverte.
Crime e castigo
Sempre que a pessoa come mais do que gostaria ou não consegue levar a dieta adiante – ou acredita que cometeu um erro –, entra em ação o sentimento de culpa. “Esse delito para ela, por sua vez, aciona o mecanismo mental da autopunição, que nesse caso é justamente consumir para engordar. O pior castigo para quem quer emagrecer”, analisa a psicóloga.
Na maioria das vezes esse comportamento atua de maneira inconsciente, mas é acionado conscientemente através de pensamentos de revolta por ter saído da linha ou por interromper o regime antes de eliminar os quilos extras que queria. Assim o medo, a culpa e a punição vão se alternando num círculo vicioso sem-fim. “A primeira atitude para quebrar esse padrão é dar-se conta dele”, ensina Maura. Depois é preciso parar de dar força aos pensamentos negativos, deixar de acreditar neles. “O terceiro passo é incluir novos pensamentos e crenças, anulando o antigo mecanismo mental e reprogramando nossa mente de forma positiva.”
"Então, a tendência natural é que nosso organismo entre em equilíbrio, cessando o desejo de comer além da conta"
Programação positiva
Claro que isso não acontece da noite para o dia – é um processo e você precisa ter paciência e carinho para consigo mesma. Dizer coisas como “eu tenho que parar com esse medo de engordar” ou “eu preciso parar de me culpar” é mais uma pressão na nossa cabeça. “Caso a paciente alcance o sucesso, acaba acionando de novo o mecanismo da punição, ou seja, a mesma programação mental que a fez ganhar peso”, explica a especialista.
A origem dessa programação mental negativa são nossas crenças (não as religiosas, mas outras, em mitos emagrecedores). Elas parecem verdadeiras para nós. A bióloga gaúcha Márcia C., 34 anos, 1,70 m, 72 kg, conta que, na infância, os colegas a chamavam de gorda e que isso marcou sua auto-imagem, tanto que ela acreditava não ter capacidade de perder peso. “Olhando minhas fotos da época, vejo que nem estava tão cheinha como diziam. Era, sim, mais alta que minhas colegas, mas estava no peso ideal. Só que cresci com a sensação ruim de que era uma bola. E, por mais que eu emagrecesse, acabava engordando tudo de novo”, conta ela.
Márcia fez uma terapia de regressão e sua antiga crença foi reprogramada – a terapeuta fez com que ela compreendesse que na verdade não era gorda, mas estava em fase de crescimento e era mais alta que as meninas de sua idade. “Só isso já tirou a angústia enorme que eu sentia por me achar condenada a ser gordinha pelo resto da vida. Em três meses, eu perdi quase 5 kg, naturalmente”, comemora.
FOTOS: SÍMB0LO IMAGENSPare de contar calorias
Outra crença comum à maioria das gordinhas é a de que elas precisam ficar iguais às modelos famosas. Por trás dessa necessidade de seguir padrões impostos pela mídia, para ser social e afetivamente aceita, está a falta de percepção de que cada uma de nós é única em sua individualidade. “Abandonar a crença imposta pelo coletivo e nos perceber como indivíduos, em nossa originalidade física e psíquica, significa tirar um peso enorme das costas”, diz Maura. “Sem essa pressão, a ansiedade diminui e emagrecer se torna mais fácil.”
Um antídoto contra o medo de ganhar peso é deixar de lado a tabela de calorias e acreditar, de verdade, que durante a refeição, na hora em que o alimento entra em seu corpo, a própria química orgânica eliminará o desnecessário e transformará os nutrientes em energia, saúde e beleza. “Ter esse tipo de pensamento muda tudo!”, resume Maura.

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